O Último Gole

Untitled

A juventude escorre por meus dedos
Dia após dia a vejo se esvair
Com o tempo aumentam-se os medos
Sinto mais cerca minha hora de partir

Com a morte eu flerto, então
Imagino meu último semblante
O óbito permeia minha imaginação
Torna-se um sonho delirante

Sinto-me pronto para a partida
Bebo minha última taça
Brindando o fim de minha vida
Repleta de amargura e desgraça

Meu último gole dou, enfim
A embriaguez penetra minhas veias
O sangue para dentro de mim
Da morte estou em suas teias

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Meu Fim

Sem título

Quando a hora chegar
O céu escurecer
A lua brilhar
E eu padecer

Quando a garrafa cair
O whisky escorrer
Eu me esvair
E nada mais ver

Quando a chama apagar
As cinzas alastrarem
O sangue espalhar
E vocês gritarem

Já não ouvirei nada
Seus perdões,
Suas mentiras
Minh’alma aprisionada
Meus refrões,
Minhas iras

Mais nada

Caleidoscópio

Sem título

Através dele, meu olho direito
Vê tanta cor refletida
Sinto, então, algo em meu peito
Por este olho, passa minha vida

 Da infância me recordo
Como havia  luz e brilho
Agora da adolescência estou a bordo
À vida adulta foi um tortuoso trilho

 Hoje, em meio a minha escuridão
Tanto brilho quase me cega
As memórias saem do cilindro em vão
E por elas, minha alma trafega

 Caleidoscópio empoeirado
Tocaste em minha ferida
Vi, através de ti, amargurado
A psicodelia da vida

Cinzas ou Pó

morcego

Fenix queres que eu seja
Para que das cinzas eu renasça
Mas sou como o raio que troveja
E traz luz uma vez só
Por maior a escuridão que faça

Se um animal tenho de escolher
Um morcego torno-me, então
Que nas trevas tudo pode ver
E faz do ostracismo sua renovação

 Pendurado em galhos se sustenta
Encara a morte como uma só
Falsas Ilusões não alimenta
E sabe que todos ao fim da vida
Tornamo-nos pó

Vinho ou Sangue

Imagem

 

Admiro o Sol nascer

Com uma taça de vinho

Porém, luz não posso ver

Tu escureceste meu caminho

 

Essa noite misturou-se

Vinho com sangue teu

E nosso amor transformou-se

Em teu corpo que padeceu

 

Agora o Sol preenche a sala

Enquanto esvazia minh’ alma

Minha dor, a luz, cala

No cálice, o vinho me acalma

 

Me acalmou, me entorpeceu

Até que eu não sofra

Por não ser mais

(t)eu

 

Eco Mortal

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Deitada à luz da Lua
Ouço tua voz em mim

Lembro de quando fui tua

Teu silêncio é meu fim

 

Uma morte dolorida

Escolheste para mim

Vivi toda esta vida

Temendo falecer assim

 

Tuas palavras brutais

Ecoam em minha mente

Tua não sou mais

Que minha morte te alimente

 

 

Sofra como sofri
Sob a luz da Lua

Morra como morri 

Por cada palavra tua

 

 

Assim como eu agora

A morte lhe sorri

O Funeral

Imagem

Sinto no corpo a chuva cair

Corpo esse que você tanto tocou
De dentro de mim te deixo sair
Na névoa a chuva minh’alma lavou

O que fizeste pra mim
Sempre esteve marcado
Agora me liberto enfim
Da dor por ter te amado

Sinto cada gota escorrer
Como uma lágrima chorada
Sem você agora vou viver
E por mim mesma serei amada

Cavaste tua própria sepultura
Me deste nada além de dor
Tenho agora uma nova armadura
Sobre teu túmulo, meu adeus e uma flor