O Último Gole

Untitled

A juventude escorre por meus dedos
Dia após dia a vejo se esvair
Com o tempo aumentam-se os medos
Sinto mais cerca minha hora de partir

Com a morte eu flerto, então
Imagino meu último semblante
O óbito permeia minha imaginação
Torna-se um sonho delirante

Sinto-me pronto para a partida
Bebo minha última taça
Brindando o fim de minha vida
Repleta de amargura e desgraça

Meu último gole dou, enfim
A embriaguez penetra minhas veias
O sangue para dentro de mim
Da morte estou em suas teias

Meu Fim

Sem título

Quando a hora chegar
O céu escurecer
A lua brilhar
E eu padecer

Quando a garrafa cair
O whisky escorrer
Eu me esvair
E nada mais ver

Quando a chama apagar
As cinzas alastrarem
O sangue espalhar
E vocês gritarem

Já não ouvirei nada
Seus perdões,
Suas mentiras
Minh’alma aprisionada
Meus refrões,
Minhas iras

Mais nada

Cinzas ou Pó

morcego

Fenix queres que eu seja
Para que das cinzas eu renasça
Mas sou como o raio que troveja
E traz luz uma vez só
Por maior a escuridão que faça

Se um animal tenho de escolher
Um morcego torno-me, então
Que nas trevas tudo pode ver
E faz do ostracismo sua renovação

 Pendurado em galhos se sustenta
Encara a morte como uma só
Falsas Ilusões não alimenta
E sabe que todos ao fim da vida
Tornamo-nos pó

Vinho ou Sangue

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Admiro o Sol nascer

Com uma taça de vinho

Porém, luz não posso ver

Tu escureceste meu caminho

 

Essa noite misturou-se

Vinho com sangue teu

E nosso amor transformou-se

Em teu corpo que padeceu

 

Agora o Sol preenche a sala

Enquanto esvazia minh’ alma

Minha dor, a luz, cala

No cálice, o vinho me acalma

 

Me acalmou, me entorpeceu

Até que eu não sofra

Por não ser mais

(t)eu

 

Eco Mortal

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Deitada à luz da Lua
Ouço tua voz em mim

Lembro de quando fui tua

Teu silêncio é meu fim

 

Uma morte dolorida

Escolheste para mim

Vivi toda esta vida

Temendo falecer assim

 

Tuas palavras brutais

Ecoam em minha mente

Tua não sou mais

Que minha morte te alimente

 

 

Sofra como sofri
Sob a luz da Lua

Morra como morri 

Por cada palavra tua

 

 

Assim como eu agora

A morte lhe sorri

Teu Castigo

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Tão rápido me despi
Vi chamas em teu olhar
Dois amantes ali
Sozinhos a se tocar

Senti tua pele macia
E muito mais que isso
Tua alma me contagia
Tu és agora a mim submisso

Te ordeno que morra
Pois já me satisfez
Ou viverás numa masmorra
Em eterna embriaguez

Teu corpo jaz aqui
Onde já esteve vivo
No inferno já chegou
Pois lá tens lugar cativo

*Personagem inspirado por “Um Beijo de Vida, Outro de Morte” de Amanda Cipullo: http://anotheroldblues.com/2013/07/31/um-beijo-de-vida-outro-de-morte/