Penitência

cruz

Entre correntes e espinhos
Eu estou a agonizar
O sangue desenha o caminho
Ao perdão do meu pecar

Carrego dentro de mim
O peso do meu pecado
Sinto que se aproxima o fim
E tua alforria por ter me amado

Em cada gota a escorrer
Vejo cenas da transgressão
Esta dor quero manter
Até que deite em meu caixão

Ninguém morreu por meus pecados
Essa obrigação devo eu cumprir
Em minha lápide um recado:

Por redenção decidiu

partir

A Cova

Untitled 2222

Uma lágrima escorre
De meus olhos vazios
Uma parte de mim morre
Sinto-me num mundo sombrio

Balbucio a despedida
Que efêmera finjo ser
Não encontramos saída
Como o sol para o anoitecer

Percebo que não resistirei
Decido então partir
Morrer agora eu hei
Pr’essa dor não mais existir

Prefiro apodrecer
A sofrer com essa dor
Meu ar estou a perder
Nos matou, enfim, esse amor

Vazio meu olhar já estava
Apenas vou me libertar

Minha cova você escava
Dentro dela
Uma lágrima tua
A despencar