Luar da Morte

Imagem

Sob a lua nua e branca

Na escuridão da floresta

Ele chega e de mim arranca

A pouca vida que me resta

 

Permaneço deitada no chão

Em meio às folhas mortas

Tão mortas quanto eu, então

E do inferno abrem-se as portas

 

Ao chegar vejo de perto
Os deuses a me brindar

Enfim o local certo

Para os pecados eu praticar

 

Vampira

Imagem

Pele macia e branca
Intenso batom vermelho
O sangue que me arrancas
Torna rubro meu espelho

 A tortura me atordoa
Teu sadismo é vicioso
Ingênua beleza que destoa
De teu espírito libidinoso

 Possui todo meu ser
E deixa uma cicatriz
Por ti estou a falecer
Pois da morte és imperatriz

O Jardim de Inverno

Imagem

Minha alma queima

Meu corpo arde

Ergamos o último cálice

Antes que seja tarde

 

No jardim de inverno

Sob uma névoa espessa

Enfim me senti viva

Esperando que a morte aconteça

 

Foi na natureza morta

Que então aspirei a viver

Mas oh, que ingenuidade!

Meu destino era mesmo morrer

 

Quão atroz é essa vida!

Disse a voz em minha mente

Meu semblante de arrependida

Apagou-se, então, de repente

 

Autodestruição

Imagem

Vidas feitas de guerra

Sangue, morte e o fim

Ódio voraz pela Terra

De corpos se fez um jardim

 

Espera a criança inocente

Que se viva de paz e amor

Mas de nada vale essa gente

Se o poder mantiver seu fulgor

 

Uma bala atravessada

O sangue começa a jorrar

Mais uma vida findada

E o homem a se revogar

 

Apodrecer

Imagem

Buscando enquanto há vida
Um sentido para existir
E minha alma tão corroída
De toda moral a se despir
 
Toda uma vida vazia
Na busca de enfim terminar
E muita razão já havia
Para um novo corpo definhar
 
Doce fim
Amargo recomeço
Me despeço de um plano ruim
E com muito prazer, apodreço